domingo, 17 de abril de 2011

A essência do Espirítismo

Ao primeiro contacto com O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, algo nos desperta de imediato a atenção: a estrutura e o texto em forma de diálogo.
Através de perguntas e respostas, o leitor vê-se no papel do aluno que busca, ansiosamente, por respostas para todas as questões da vida: conhecer e compreender Deus, o Universo, as relações entre os seres, as Leis morais, a vida futura (ou quem somos, de onde vimos e para onde vamos).

Tal abrangência de conteúdos numa obra apenas, numa exposição clara e objectiva, sob a orientação dos mentores do nosso orbe terrestre é, sem dúvida, um marco histórico na evolução da humanidade.
Parafraseando o professor Herculano Pires , “O Livro dos Espíritos é um manual de educação integral” que visa a formação moral e espiritual dos homens, do espírito, enquanto alunos matriculados na Escola da Terra, em aprendizagem constante, através de vidas sucessivas.
Podemos, pois, afirmar que a essência do espiritismo é a educação, porque promove o auto-conhecimento e a evolução do espírito.

Ser espírita é conhecer-se e auto educar-se. É compreender a vida como um programa de estudos, provas e oportunidades que previamente escolhemos, no uso do livre arbítrio, e que devemos aproveitar e superar, para alcançar mais rapidamente a perfeição.
Nesse aperfeiçoamento individual, o exemplo surge como um modelo que desperta nos outros a vontade de progredir. Pelo exemplo, o espírita, é um educador.
Esse acto de educar é, segundo a Dr.ª Dora Incontri , uma das melhores formas de fazer caridade.

A prática do espiritismo não pode estar confinada apenas ao centro espírita. Ela é inerente á nossa própria vivência diária, á forma como reagimos às situações, como ultrapassamos as dificuldades, como enfrentamos os desafios, seja na família, no trabalho ou nas actividades sociais.
“Para o espiritismo a essência da própria vida é pedagógica”, diz o professor Alessandro César Bigheto , porque a “evolução do ser humano é um processo de educação”.
Analisando o Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas , logo no art.º 1º podemos ler que “A sociedade tem por objecto o estudo de todos os fenómenos relativos às manifestações espíritas e suas aplicações às ciências morais, físicas, históricas e psicológicas (...)” .

Estas sociedades ou centros espíritas, seriam, na proposta de Allan Kardec, espaços instigadores de debate de ideias e do estudo sério do espiritismo, de forma a cada um aprofundar o conhecimento de si e da vida, procedendo á sua reforma íntima.
A compreensão dos objectivos morais do espiritismo implica que os apliquemos a nós mesmos .
E é nessa compreensão pela acção, no respeito e tolerância pelo próximo, na liberdade usada com amor que se constata o seu carácter pedagógico.
As directrizes filosóficas e morais que nos são trazidas pelos mentores, espíritos mais evoluídos que passaram pelas mesmas experiências e dificuldades, contêm os ensinamentos pedagógicos necessários para a nossa aprendizagem, enquanto seres imortais.
Eles colaboram, assim, na nossa educação, como educadores atentos e preocupados com o sucesso dos seus pupilos.

Nesta perspectiva a educação não se restringe a um fim imediato, mas tem um fim superior que é o desenvolvimento para a perfeição possível de todo o ser.
E a sua actuação é tanto no campo individual como no colectivo, porque o Espiritismo pronuncia a reforma do indivíduo e das instituições.
Todo o conhecimento contido nas obras básicas da Codificação Espírita, é universal. Visa esclarecer e orientar a caminhada progressiva da humanidade.

Como afirmou Herculano Pires, Allan Kardec “deu ao mundo uma forma viva de ensino que ao mesmo tempo informa e forma, instrui e moraliza.” 
Logo, a finalidade última do Espiritismo é a educação do espírito e a sua natureza pedagógica está alicerçada na filosofia e ciência espírita expressa em O Livro dos Espíritos.

R.F. in Jornal de Espiritismo

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